04 de Agosto de 2009

...os calções e os joelhos esmurrados...

 

Hoje, depois de uma hora a saltar à corda com os meus Pinguins de Magalhães, resolvi contar-lhes uma história juvenil para os adormecer.

Mas como não compro revistas sociais, tive de recorrer ao que estava mais ao meu alcance, ou seja, a arte e o engenho da criatividade.

 

Ora tenham a fineza de se sentarem confortavelmente numa dessas almofadas fofas que vos estão mais próximas e disponham-se à volta do tronco secular de Carvalho em que me sento e descanso.

 

"Era uma vez, uma realidade paralela encantada, muito próxima da nossa superficial realidade.

Tudo aconteceu há muito, muito tempo atrás, no tempo em que os animais ainda pagavam, para terem o David Attenborough silenciado com uma mordaça.

E todos viviam felizes e em harmonia.

E tudo era parecido com um paraíso fiscal.

Não havia fiscalização alguma, nem segredo de justiça e era permitido a todos desviar o que quer que fosse, incluindo desviar pobrezinhos.

Quem fosse apanhado a monopolizar funções, era ovacionado e levado em ombros para tomar posse de uma câmara municipal qualquer ou coisa que o valha.

O transporte mais utilizado para quem queria viajar por terra, era indubitavelmente o "carjacking".

E ninguém se sentia prejudicado.

E ninguém ficava traumatizado.

Tudo porque era já considerado mais como uma tradição, do que como uma causalidade.

As companhias aéreas de transporte de passageiros, serviam bebidas espirituosas aos seus clientes por conta da companhia e à discrição.

E a aeronave não levantava vôo, sem que todos os passageiros estivessem ébrios, histericamente felizes e a conviver socialmente como se não houvesse amanhã.

Caso a aeronave, por uma ou outra razão anómala, deixasse de funcionar, as máscaras não continham oxigénio mas sim, óxido nitroso.

Nesta realidade paralela encantada não existia frio, logo, a taxa de desemprego dos ursos polares era muito elevada.

Contudo, viviam também felizes e em harmonia por poderem continuar a usufruir do seu pêlo, pois as empresas que fomentavam a caça furtiva e a manufactura de casacos, estavam por demais ocupadas em reintegrar os seus colaboradores numa acção de formação de animadores socio-educativos para campos de férias.

Quem pensasse sequer em não lavar as mãos com sabonete após tossir ou espirrar, transformava-se logo por magia numa estátua de sal, que era posteriormente usada como centro de mesa nos restaurantes de hotéis, na época das cimeiras.

 

E tudo era belo e harmonioso nesta realidade paralela encantada.

E, por si só, tudo era entediante..."

escrito por centrodasmarradas às 00:32 linque da crónica
Agosto 2009
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
11
15
16
18
21
22
24
25
27
28
Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

os que venderam bem
6 comentários
4 comentários
4 comentários
4 comentários
3 comentários
2 comentários
mais sobre o espécime
saída de emergência
 
patacoadas
..ainda bem. Está na altura de trazer uma garrafa ...
Vinho é muito bom! concordo consigo :D
Esse reality show não teria grande sucesso, pois j...
...e será só ela, Rafeiro? Abraço...
Quando aparece o tipo a dizer porque é que a outra...
...a seu tempo, meu caro. A seu tempo...
...bem relevante!...e as garantias?...ningué...
Eu não sei se devemos dar dinheiro a esses tipos o...
1º Eu respondi a cena do ministro, queres a morada...
Eu juntava era esses criadores de dias mundiais e ...
blogs SAPO