05 de Maio de 2010

...mais depressa se apanha um mentiroso, que um mocho...

 

Nada como brincar ao "faz de conta" como quando era pequeno.

A minha situação imaginária preferida é aquela em que estou num país onde não há vontade política para mudar o que está errado, onde o povo deixa andar e no geral, pouca fiscalização existe.

Sou o director geral de uma empresa pública, recebo um ordenado que dizem exagerado e como se não bastasse, alcanço prémios anuais avultados. Uma das minhas vantagens preferidas, é ter a hipótese de não declarar os meus rendimentos na totalidade, sem receio de ser descoberto porque mesmo que o seja, a Justiça assume o papel passivo e tem mais receio de mim, do que eu tenho dela.

Nesta situação imaginária, quem não precisa de levantar um dedo sequer para se fazer respeitar é a "autoridade que circula de automóvel na via pública sem cinto de segurança" que, de uma forma eficiente e preventiva, faz com que o cidadão aja correctamente e passe a mensagem ao seu semelhante. O incauto cidadão que circula na mesma via mas no sentido contrário (e ao deparar-se com a "autoridade que circula de automóvel na via pública sem cinto de segurança"), lembra-se rapidamente do dito caso não o traga, evitando assim por parte destes um "ai, ai, ai o menino rebelde!".

Neste meu "faz de conta", sou por vezes tão implacável nas minhas funções que gasto mais dinheiro com pessoas que não querem trabalhar, ou que vão viver para o cárcere por terem prejudicado aqueles que não prejudicam ninguém, do que gasto com os cidadãos que contribuíram e/ou que contribuem honestamente para o crescimento do meu país imaginário.

Neste cenário hipotético, há locais onde as tampas de saneamento que deveriam estar dispostas de uma forma lógica no eixo da via onde estas poderiam provocar menos danos, são de uma forma divertida e criativa, colocadas na faixa de rodagem justamente onde passa o rodado de automóvel. Por vezes o caos é tanto que no mesmo espaço de asfalto rivalizam tampas de vários formatos, fazendo com que o condutor mais exímio que vá ou venha do trabalho, desfrute de uma rápida prova de perícia sem qualquer encargo adicional.

Outra situação com tanta lógica como um hipopótamo macho espalhar os seus dejectos na superfície da água com o auxílio da cauda, é neste meu fantástico país imaginário ser uma tradição remendar a mesma barreira de terra várias vezes e esta, por sua vez continuar a cair, quando todo o dinheiro que é gasto nessas tentativas incompetentes de mostrar obra, poderia e deveria ser utilizado de uma só vez, de maneira a cortar o mal pela raiz.

Num país como este, em que por vezes algumas coisas andam ao contrário, custa-me entender porque razão muitos outros não partilham do meu entusiasmo e da minha felicidade. Será inveja!?...

escrito por centrodasmarradas às 18:00 linque da crónica
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