17 de Junho de 2010

...a necessidade aguça o engenheiro...

 

Meus fiéis, ilustres aniquiladores de criaturas satânicas aladas, prospectores de sujidade nasal. Oremos em silêncio...

 

Estive durante este último mês em retiro espiritual forçado, deixado ao abandono numa ilha isolada algures nas águas territoriais portuguesas, tendo por companhia um tronco de coqueiro estéril a quem dei o nome simbólico de "dia do meio da semana". Este procedimento é natural porque a certa altura já não sabia se o meu último contacto com o mundo civilizado se tinha dado a uma Quarta ou uma Quinta-Feira, por isso achei por bem que fosse "dia do meio da semana". É generalista, contudo directo e fica no ouvido.

Este tempo de cárcere forçado, permitiu-me reunir a partir de destroços à deriva, tecnologia embora rudimentar mas suficiente para continuar a minha demanda hercúlea: conseguir fabricar uma espécie de computador primitivo, arranjar uma ligação precária de acesso à rede mundial para poder encomendar um chapéu de aba larga (daqueles feitos na melhor palhinha de Abrantes), de modo a suportar as horas de maior exposição solar.

 

Ora neste período faseado de readaptação ao mundo exterior, visto através do monitor pacientemente seco recorrendo ás energias alternativas (sol e sopro), tentei ficar contagiado pela expectável publicidade de características "sim, nós podemos!".

O que há a dizer sobre fazer um elefante acreditar que consegue escalar uma árvore robusta, avançar com o seu abdómen por entre fartos ramos, utilizando somente para o efeito as unhacas das suas portentosas patas!?

Numa altura como esta em que a imaginação e o consumo de drogas pesadas caminham lado a lado pelos corredores de muitas agências de publicidade, eu avancei em jeito de raciocínio romântico e supondo que um dia tal acontecesse, deduzi que um paquiderme (para o efeito não interessa se indiano, se africano), iria notar a igual dificuldade que sente um gatinho fofo e lavadinho, ao tentar descer de uma árvore.

 

Sobre o estridente e malfadado instrumento cultural africano de tortura, a única coisa que me apraz dizer é que pensei não haver nada pior que a voz da Ana Free. Implacável, contudo justo, sei reconhecer quando erro e sei dar a mão à palmatória, pelo que devo um pedido de desculpas à dita.

 

Tão surreal como o aspecto visual de um elefante que pulula de nenúfar em nenúfar sobre um lago de águas calmas (algo credível e ao alcance de uma ou outra agência de publicidade), é o facto de alguém ter mostrado o interesse de começar a vender tampões para os ouvidos à entrada dos estádios, graças ao inoportuno ruído. Mas quanto a alguém se chegar à frente no rastreio auditivo dos adeptos que saem dos estádios, nada! O que há de mal em colocar na ressaca do acontecimento futebolístico, uma auto-caravana de rastreio auditivo com a cara estampada do Marco Paulo!? É por serem exames gratuitos, é!?...

escrito por centrodasmarradas às 01:31 linque da crónica
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