29 de Agosto de 2009

...um pontapé nos tim-tins...

 

Sejam bem-vindos aos "Traumatizados Anónimos - Grupo de Apoio (vertente imagens olímpicas televisivas anos 70/80)".

Coloquem as cadeiras em círculo e, para vos deixar mais à vontade, vou eu começar a narrativa da minha experiência.

Quem, como eu, não se lembra das atletas da ex-União Soviética, ex-República Federal da Alemanha e outras, que cultivavam uma barbita de fazer orgulhar um pai extremoso que tinha como missão, um primogénito macho?

Já lá vão uns bons anos, mas ainda hoje carrego comigo essas sequelas de imagens traumatizantes, tenho suores frios e temo que perpetuem para todo o sempre na minha memória.

O drama de assistir aos corpos "avantajados" no lançamento do dardo, do peso, do disco, contrastavam com o chocante salto em altura e em comprimento com os seus corpos esguios e anorécticos, que muitas vezes nos faziam apostar se era homem ou mulher, momentos antes de aparecer na imagem, a nacionalidade do atleta.

Ainda sinto um frio no estômago e por vezes até cólicas, quando falo sobre estes episódios.

E quando menos se esperava, quando se julgava já não ser possível haver um retorno, eis que volta o assombro dantesco!

 

Há eventos que correm bem, outros mal e outros ainda, nem por isso.

O Mundial de Atletismo de Berlim, tornou-se um belo exemplo de insólitos.

Depois da gargalhada numa ou outra situação nunca antes vista, anda agora tudo apático à volta do(a) atleta fundista Semenya, a tentar vislumbrar subtilmente, qual o sexo que esconde entre pernas (reparem no cuidado que tive em me mostrar imparcial, na colocação da pluralidade da identidade sexual e a resguardar-me desta forma, de futuras possíveis responsabilidades).

Maiores dúvidas:

- Aldrabice Sexual ou F.G.C.D. (Forma Genial de Contornar o Dopping)?

- Trigo ou Joio?

- Chá de Cevada ou Sumo de Uva?

 

Já não basta medir a percentagem de testosterona que um corpo produz. E não me admirava nada que muito em breve, vamos começar a ter antes da inscrição dos atletas, uma fila para uma tenda e lá dentro, um médico e uma médica exclamam com voz bastante perceptível, à medida que cada um vai entrando:

- É MENINO!

- É MENINA!

- EH LÁÁÁ!!!

escrito por centrodasmarradas às 22:27 linque da crónica
29 de Agosto de 2009

...uma da manhã, um murro, uma perna partida...

 

Nesta altura do ano em que o tráfego fluvial de gaivotas diminui, tenho andado a pensar seriamente em começar a calcorrear salas de espera para dar ânimo ás velhinhas hipocondríacas.

É um serviço sem remuneração, voltado somente para a prática do bem. Palmadinhas suaves e gentis na costa da mão da senhora e com voz calma e apaziguadora, digo pausadamente:

- Pronto, pronto, já passou. Conte-me então as suas maleitas...vá desabafe. Deite tudo cá para fora...

Sou apologista da ideia que o tratamento deve começar na sala de espera e não na sala do consultório. Deve-se preparar o paciente psicologicamente, para o que lá vem.

 

Tudo isto leva-me ao âmago, ao génesis, ao busílis da questão!

Imaginem a sala de espera de um consultório de um estomatologista legal português escolhido ao acaso.

É necessário arrepiar caminho para a criação de um plano hospitaleiro.

Um programa de Estado, em que alguém com formação em ocupação de tempos livres esteja presente nessa sala do taciturno consultório, a criar condições para distrair as pessoas (um Luís de Matos, porque não!?), ao mesmo tempo que mostra resultados excelentes enquanto no consultório em si, ouve-se a broca imitar na perfeição, uma rebarbadora.

Eu acho esta medida por mim avançada, crucial e oportuna.

Outra ideia também bastante audaciosa que me ocorre, é colocar um bar embutido neste tipo de consultório. E na hipotética embriaguez desmesurada do cliente e, de modo a providenciar ao mesmo um serviço fino e requintado, o preço deverá contar já com uma senha de transporte incluído para a deslocação ao domicílio.

Para uma melhor dinâmica, deverá até haver uma permuta pré estabelecida com uma praça de táxis.

Devo acrescentar que este último detalhe, revelar-se-ia bastante útil.

 

Na estreia da rubrica "Ainda não aconteceu, mas pode muito bem vir a acontecer, caso dê em moda aumentar o preço dos artigos no hipermercado", meditem no trabalho de casa que vos deixo.

Para evitar ouvir o tu-tu-tu intermitente da linha Saúde 24 e, em suma, não ter surpresas como o Bruno Pais teve no Triatlo com os juízes da organização, sempre que forem ás compras (e mesmo que escolham um hipermercado de maneira aleatória), façam a soma dos ítens adquiridos, artigo após artigo, antes de chegarem à caixa.

Evitem o uso inadequado dos veículos de emergência.

Já agora, é da meia garrafa de vinho tinto que bebi, ou a maçã reineta embebeda?

escrito por centrodasmarradas às 00:56 linque da crónica
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