10 de Novembro de 2009

...não deixes para amanhã, o que podes fazer depois...

 

Senhoras e senhores, distintos devotos, aspirantes a corruptos.

Eu tenho a ideia que a corrupção é uma instituição secreta assim como a Real Maçonaria ou a Opus Dei.

Foi por isso, a muito custo e pouca conversa comigo mesmo, que cheguei à criação da Nobre e Mui Distinta Obra da Corrupção.

Esta Irmandade albergará em si, figuras públicas e/ou indivíduos que se movimentem em cargos de relevo e destaque na sociedade, como colaboradores da recolha de lixo, peixeiras, agentes da autoridade, carteiros, etc.

Por mais que se tente com um olhar inquiridor do género "cheira-me que és corrupto" de maneira a que esta figura pública cometa um deslize, só se irá descobrir que pertence à famosa, porém restrita Irmandade secreta Nobre e Mui Distinta Obra da Corrupção, quando esse alguém for oficialmente caçado pela televisão.

 

E disse muito bem caçado pela televisão.

Tudo porque a polícia e os tribunais chegam sempre em segundo lugar. E é do conhecimento geral que o segundo lugar, é o primeiro dos últimos!

Não culpo a polícia e os tribunais, porque tenho noção que não é fácil ter conhecimento que o segredo de justiça privilegia sempre as melhores dicas à televisão e jornais, porque estes pagam pelo sistema de dinheiro à vista, enquanto que a polícia e os tribunais pagam com senhas de refeição e senhas da carris. Ora isso é muito pouco apelativo para o segredo de justiça.

É óbvio que a televisão e os jornais já lá estão quando os representantes da autoridade resolvem aparecer. A polícia só se safa de olhares indirectos e descrentes, com o clássico comunicado à imprensa tendo como porta-voz, Jorge Jesus:

- Esta investigação dequerria há já um ano e meio, dois anes...(inspira como se inalasse erva da boa)...esta foi uma m´ssão conjunta entr'as autoridades terrestres e as'autoridades marítimas...(inspira)...envolveu uma pincher com cio e uma máquena f'tegráfica descartável que despara por controle remote, uma traineira, uma canoa e dois pés de pato utilizades na aproximação para captação de som...(inspira novamente)...

As mensagens e provas de releve seguiram por meio altamente cuidadoso e de segílio abseluto, ou seja...(inspira)..., por carta fechada, graças à parceria conjunta com os serviços de querreio nacional.

De referir ainda que a operação dequerreu normalmente das 9h ás 18h...(mais uma inspiradela)..., o horário dos querreios.

Não sei se têm alguma pregunta?...

- Porquê uma pincher com cio?

- E porque não com cio!?

- Qual o propósito?

- Prepósito dela ter cio!?

- Não propriamente. A relevância que tem para a investigação ela apresentar-se em estado de cio...

- Mas que fixação doentia é essa!? Quer saber s'ela está cãopremetida, é isso!?...

 

Devíamos admirar e não julgar em praça pública, uma Irmandade secreta que, como muitas outras, tem a seu cargo respeitáveis individualidades que cuidam uns dos outros e estes cuidam da Irmandade, recorrendo somente à entre-ajuda.

E isso é bonito, comovente e até louvável.

Procurem olhar para eles como uma elite visionária. Se todos fossemos corruptíveis de vez em quando, não seria tão estranho cada vez que se ouve na televisão e na rádio e se lê nos jornais.

Por isso eu digo, até ao fim deste ano pratique a corrupção e ajude de uma vez por todas, a tornar este acto ilícito num acto lícito.

escrito por centrodasmarradas às 16:17 linque da crónica
08 de Novembro de 2009

...gato escaldado, de águia fria tem medo...

 

Hoje vim a casa da Dona Isolinda Lima, moradora em Valdormidos, mais exactamente na Travessa dos Levanta-te Para Cima, nº 10 (se passaram o chafariz, retrocedam cinco passos de tartaruga).

E porquê, pergunta e muito bem, quem está acordado. A Dona Isolinda, Lima é a feliz proprietária legal de sete gatos e duas gatas, uma delas prenha.

E é precisamente esse aspecto peculiar que me trouxe aqui. Vim assistir ao nascimento da ninhada, para atribuir a um destes hipotéticos candidatos, o galardão "AZAR DOS AZARES! - a prova cabal de que afinal, os gatos pretos dão azar".

O principal requisito para atribuição do galardão "AZAR DOS AZARES - a prova cabal de que afinal, os gatos pretos dão azar", é apanhar a surpresa de um gato quando abre os olhos pela primeira vez após o nascimento e este ter a noção de que o seu pêlo é de cor preta.

Um dos testes que estava em vias de concretizar por défice de espécimes pretos, era pintar dois gatos e fazer com que eles se cruzassem no caminho um do outro.

Optei por não o fazer, pela única razão de que a tinta que dispunha no momento, era castanho acetinado...não daria o mesmo efeito, concerteza.

Mesmo assim, tenho quase a certeza que a reacção destes seria "daassssss!"...

 

Porque será que os gatos fecham os olhos quando estão a lamber a pata!?

Lá que tenham os olhos fechados enquanto procedem ao movimento de passar a pata previamente lambida pela nuca, orelha e fonte, ainda vá que não vá. Pode ir um pêlo para a vista, tudo bem, nada contra.

Mas fechá-los enquanto se lava uma pata!?

Será nojo do próprio corpo, ou receio que uma unha salte e bata numa das vistas?...

Descendente do Dinictis (foi há 10 milhões de anos, se já não se lembrarem, não dêem parte fraca), o gato (Felis Catus), esse felino cioso, astuto, de garras acutilantes, porém fofinho e que muita gente insiste em chamar amaricadamente de "bolinha", "tareco", "fru-fru", "venceslau temóteo", é noctívago na sua essência, mas activo a maior parte do dia. Coisa que, se comparado com um cão, torna-se distinto.

O gato é muito territorial e à custa disso, é conhecido por ser capaz de em certas alturas do ano, oferecer um espectáculo memorável à sua assistência.

É um deleite observar dois ou três representantes desta espécie em aceso confronto territorial. Um confronto gato-a-gato que faria uma sessão no parlamento sul-coreano, assemelhar-se a um recreio dos teletubbies. Experimentem mentalmente ver o conflito em câmara lenta, acompanhado de uma suave música clássica...pura poesia.

 

Vamos agora utilizar as unhas para descer da árvore e mudar de tópico.

Mas quem foi que disse pela primeira vez, que uma ressaca serena mais os ânimos, se bebermos a última bebida ingerida na noite anterior!? A esse acéfalo, tenho a dirigir as seguintes palavras.

Meu caro fruto de um conjunto emaranhado de tanta anormalidade genética simiesca, fazedor ininterrupto de bolo fecal.

Caso a vida te tenha corrido de feição, já te deves encontrar merecidamente ligado a máquinas devido a insuficiência renal ou à espera de um transplante de fígado.

Oxalá Vosso Senhor te faça escrever com as unhas na ardósia agreste, a frase "jamais espalharei a minha estupidez em praça pública".

escrito por centrodasmarradas às 23:37 linque da crónica
07 de Novembro de 2009

...há mar e mar, há ir e ficar por lá...

 

Diário de Bordo do Comandante

Entrada nº 033.2009.1013

Ano Estrelar - entre o nº3210 e nº3215

Localização - Constelação de Boi

(a da direita, a que tem a luz mais fraquinha).

 

Viajo novamente em direcção ao desconhecido, tendo ainda um saco de 50kg de tremoços transgénicos criogenizados e 100 grades de mine que vou refrescando conforme a necessidade, com a ajuda do oxigénio líquido.

Nota: Arranjar tanques com maior capacidade de armazenamento de oxigénio líquido.

 

Hoje como medida de higiene, foi aspirado o porão a vácuo, com a ajuda da abertura das escotilhas 2 e 3. Perdi o gato e o receptáculo para os tremoços. Não houve necessidade de recorrer aos sistemas de socorro "anti-hiperventilação e pânico", porque o capacete tem quase o mesmo diâmetro e leva a mesma quantidade de tremoços.

Nota: Ter em atenção a deslocação temporária das 100 grades de mine para outro compartimento, antes de efectuar a mesma medida de higiene a este compartimento.

 

Recuperei parcialmente o sistema de velas solares numa arriscada saída para o exterior da nave. Exagerei no Hélio aquando da mistura gasosa e é difícil conter-me, concentrar-me ou manter-me sério quando comunico com o computador principal com a voz aguda.

Nota: Utilizar da mesma mistura gasosa na próxima comunicação com a Terra...e lavar a seco as calças do fato espacial...

 

A vida no espaço desconhecido não é fácil. No outro dia ou noite, também não interessa, mesmo estando a atirar a bola de ténis à parede, ela demora uma relativa eternidade a voltar no mesmo sentido para a minha mão.

"Apaguei" por uns segundos e quando dou por mim, já estava ela a bater no painel para a viagem em velocidade alucinante em hiperespaço...ou viagem no espaço alucinante na hipervelocidade...adiante.

Nota: Bola de ténis e ausência de gravidade não combinam. É melhor ficar-me pelo Tetris.

 

Para quem gostaria de saber o que está para lá de um buraco negro, eu digo para não irem por aí. Evitem ir por aí!

São sítios perfeitos para largar entulho, restos, descartar provas e pouco mais. Tudo de uma só vez. São, no entanto, mais eficientes que uma casa de banho de um ex-conselheiro de presidência.

Nota: Obter papel higiénico na próxima paragem. Não quero sentir-me como um cubano no início do séc. XXI...

 

A concluir este registo no Diário de Bordo do Comandante, Entrada nº 033.2009.1013, segue-se a referência à ementa para o jantar:

 

Entradas - Melão Envolto em Presunto e Orelha de Porco Ensalsada.

 

1º Prato - Feijoada à Transmontana.

2º Prato - Bacalhau à Brás.

3º Prato - Iscas de Fígado.

 

Sobremesa - Tremoço.

Bebida Digestiva - Mine.

escrito por centrodasmarradas às 23:38 linque da crónica
06 de Novembro de 2009

...quem canta, seus males estampa...

 

Meus fiéis, eu vos saúdo.

Uma bela noite passou com mais uma fantástica opereta latida (sim, leram bem).

Muito bem organizada, muito bem estruturada e de uma atenção exemplar para com os ouvintes.

Um cão barítono surge primeiro, pausadamente, notando-se a voz como que a desenrolar o cenário daquilo que irá acontecer.

Em segundo latido, o tenor, a deixar transparecer com bastante clareza a agonia bem patente e a aproveitar as deixas que o barítono lhe dá, para introduzir a miséria, a tristeza e o drama subjacente.

O baixo só aparece no fim do segundo acto, oportuno, com a minúcia de um bisturi, cortando aqui e ali de forma precisa, interpretando com excelência o papel de senhor e juiz.

No terceiro acto é que acontece algo que não estava na brochura.

Num tom discreto mas perfeitamente perceptível, do meio do nada ouve-se um latido que me parece de um papel secundário ou mesmo figurante. Um cão que parece estar enlatado ou dentro de um bidon, insurge-se perante os demais artistas, testa tudo e todos, incita-os a voltar a cena e numa desgarrada fulcral, contudo de improviso, puxa por eles e pelas suas vozes!

Mas que opereta, meus fiéis! Dou por bem empregue o tempo que estive acordado e com excelsa atenção!

Sublime! Piramidal! Um luxo! Bis! Bis!

 

Correndo de assunto como um pobre jornalista que corre de tribunal em tribunal para garantir mais uma reportagem de "mais do mesmo", uma coisa que me faz tanta impressão como imaginar o que uma vaca deve sentir, quando um humano introduz o braço (em toda a sua extensão), no canal de evacuação, é o seguinte:

Porque razão há ainda políticos ou pseudo-políticos que, enquanto se dirigem aos demais, insistem em estar constantemente a tocar ou a orientar os pequenos microfones das bancadas e púlpito!?

 

Será um fetiche!?

(SOIS MINHA PERTENÇA E IREI TOCAR-VOS AS VEZES QUE ME DER NA REAL GANA!)

 

Será uma mostra de poder!?

(OLHAI COMO EXERÇO TODO O MEU PODER, AO MEXER AS VEZES QUE ME APRAZ NESTES ENGENHOS PROPAGADORES DE VOZ!)

 

Será consumo excessivo de pó do hemiciclo por parte de pessoas susceptíveis ao referido, que faz com que os microfones pareçam mexer-se!?

(PARAI QUIETAS, CRIATURAS DEMONÍACAS! PARA TRÁS! PARA TRÁS, JÁ DISSE! IDE! EU NÃO CREIO EM VÓS!)

 

Por hoje é tudo e por ontem também.

Não se façam de estranhos e entrem sempre que a porta estiver destrancada...desde que a casa não seja minha,

Irei voltar assim que descortinar se o Batatoon está na escola de formação de juizes.

É que há casos que não passam de circo, outros resultam numa palhaçada e ainda alguns, em que coisas deixam de ser faladas por magia...

escrito por centrodasmarradas às 14:40 linque da crónica
05 de Novembro de 2009

...mais vale tarde, do que cedo...

 

"Bem, num dia como o de hoje (a chover copiosamente), não costumamos ir ao recreio e ficamos na sala a fazer desenhos com lápis de cera. Quem não quer, fica a um canto da sala virado para a parede, a ler padre António Vieira que é só para não se armar em intelectual.

Em seguida, pegamos nas folhas em que desenhámos, amarrotamos as mesmas e lançamos ao energúmeno.

Depois voltamos a fazer tudo de novo, só para o irritar e paramos somente quando acaba a resma de papel".

(Este depoimento foi feito à saída da escola primária, por um colega de José Saramago)

 

Ora o que fazer quando chove? Ficar em casa e esperar que passe o mau humor atmosférico, parece-me uma excelente ideia.

Mas para quem tem de ir trabalhar, basta guarnecer-se de um chapéu ou uma gabardine (sugiro o modelo Pedrucho S. Lopes), ou ainda, levar com ela nas costas para posteriormente ficar em casa. De uma maneira ou de outra, como vêem, isto vai dar sempre ao habitat, não há volta a dar.

 

Por falar nisso, uma coisa que me deixa tão apreensivo como um peixe quando vê o isco no anzol de metal reluzente, é o que fará a lesma nestes dias húmidos?

A lesma é um molusco gastrópode, ou seja, anda sobre o abdómen.

E é basicamente isto que ela faz. Rasteja, come a ervinha que tem a comer, larga um rasto mucoso peganhento e, sendo hermafrodita, engata-se a ela própria nos tempos livres (digo tempos livres, por não me ter chegado informação de este espécime ter fins-de-semana ou não).

A lesma deve ser o molusco que menos respostas negativas tem no seu curriculum, no que diz respeito ao romance/engate.

Seja por meio de preliminares ou furtivamente, ela deve ter garantidamente sexo logo no primeiro encontro! E o sexo é sempre seguro! Com quem há-de ter ela saído, para além dela própria!?

Ela não precisa de ter dois amores que em nada são iguais, porque só lhe basta um que é o amor dela.

A lesma ninfomaníaca deve ser a mais descontrolada delas todas e coisa que nem lhe deve passar pelos olhos retrácteis, é a ligeira possibilidade de o sexo se tornar uma coisa monótona.

Sendo a lesma um molusco hermafrodita, só pode mesmo gostar de tempo húmido para poder disfarçar todo o desejo carnal que sente minuto sim, minuto também.

Não pode estar constantemente a desculpar-se que a sua pele suada, é fruto da respiração cutânea. Se não, reparem.

Qual a altura em que se vêem mais lesmas? Quando está mais fresquinho, no Outono e Inverno. Logicamente!

Se o bicho já é quente o suficiente, para quê sair durante o calor do Verão!?

A vida da lesma não se resume só a sexo, é certo. Há outras vantagens que saltam à vista, mas não interessam porque são enfadonhas.

 

Já a seguir, a previsão do tempo que irá fazer no dia 20 de Julho pelas 18h33m20s, bem como a entrevista ao cão pisteiro inglês que esteve na Praia da Luz.

escrito por centrodasmarradas às 16:02 linque da crónica
04 de Novembro de 2009

...tantas vezes a cântara vai à fonte, que acaba por ser rotina...

 

Resguardem-se em vossas protecções, abasteçam-se de víveres, apaguem as velas, armadilhem o espaço em redor, protejam-se!

A Inquisição regressou e o povo teme pela sua segurança! O brilhar dos archotes e a silhueta das forquilhas, são o prenúncio de tempos difíceis!

O medo e o terror farejam os mais incautos e espreitam qualquer movimento em falso!

Acautelem-se! Escondam-se! Fujam! Fujam pelas vossas vidas!

É O FIM !!!

...(inspirar fundo, descontrair, coçar atrás da orelha)...

 

Se apanhar gripe sazonal, será correcto dar a entender fisicamente a pessoas estranhas, que estou com sintomas de ficar um dia na caminha até estar recuperado?

Como amenizar uma notícia que logo de início, não abona em nosso favor?

- Pessoal, hoje não cumprimento ninguém porque acho que estou a ficar um tanto engripado.

- AGARREM-NO! TRAGAM A CORDA!

- Mas eu, mas...o que estão a fazer!?

- FOGUEIRA! FOGUEIRA! FOGUEIRA!

- Esperem! É gripe sazonal! Não é...

- É O INÍCIO! CORTEM O MAL PELA RAIZ! MATA!

 

Apesar de temporariamente fragilizado, dediquei algum tempo e encontrei uma solução para este problema.

Para evitar olhares de soslaio e que vos evitem...ou vos atirem para uma fogueira, experimentem focar a atenção dos vossos conhecidos nas várias possibilidades de fontes de contágio. Não venham com as entediantes e fatídicas desculpas do "não tenho uma imaginação por aí além", ou "era noite, estávamos todos de máscara e eu já estava com um grãozitozão na asa", porque as hipóteses de conseguir com sucesso dar uma desculpa identificativa da fonte de contágio, são as mesmas que encontrar alguém a espirrar no Inverno.

Culpem sempre algo que tenha na vox populi, uma fama duvidosa ou mesmo, uma fama deplorável.

Curiosamente, num inquérito feito à boca das gaivotas, a chuva é algo que tem entre elas uma reputação não direi deplorável, mas inoportuna. Sempre que estas querem ir buscar um peixinho a alto-mar (onde reside o peixe mais rude e selvagem, constituinte incontornável de uma alimentação rica em Ómega 3), o que é que já lá está?

A tempestade!

Das gaivotas que se deslocaram a alto-mar para a sua pescaria e voltaram para trás de estômago vazio devido ao mau tempo:

85% disseram ser "má onda";

10% praticaram boatjacking;

4% ameaçaram tornar-se veganianas;

1% culpou o Governo;

Ora por si só, a mudança do tempo atmosférico, é a razão esclarecedora por haver tanta gaivota a ocupar ilegalmente os rios.

Reparem o quão fácil se torna culpar o mau tempo. O mau tempo é uma fonte inesgotável de tristeza.

- Pessoal, não cumprimento ninguém porque acho que estou a ficar um tanto engripado. A vir para cá, apanhei um bando de gaivotas que regressava de alto-mar de estômago vazio devido ao mau tempo.

- Este maldito tempo, pá. Olha, ouvi dizer que à noite vai estar mais fresquito...

escrito por centrodasmarradas às 17:28 linque da crónica
03 de Novembro de 2009

...tristezas, não apagam dívidas...

 

O que é um carro a gás propano líquido?

Qual a velocidade em descida de uma APE 50 caixa aberta?

No que diz respeito a dor lancinante, entre uma picada de vespa comum e uma picada de vespa da terra, qual é a que se torna mais intensa?

 

Há sem sombra de dúvidas, variados exemplos que vos fazem borbulhar o estômago. A ingestão de uma alheira (que afinal estava fora do prazo de validade), um alka-seltzer, as entranhas de um moscardo espalhadas no pára-brisas, uma mine...

Até aqui, não se passa nada.

Mas o que realmente age como um agente corrosivo no interior do osso do crânio, é a insensibilidade com que sou constantemente bombardeado acerca de um assunto que acho ser de extrema seriedade.

 

...(é favor ler com a voz colocada de Nuno Markl)...

 

Existem um pouco por todo Portugal, um sem número de outdoors que são marginalizados, vítimas da indiferença quer dos seus partidos, quer de transeuntes e automobilistas.

Pare por um minuto e observe a diferença entre um outdoor publicitário e um outdoor partidário. Concerteza que reparou na qualidade e brilho do papel com que os primeiros são insistentemente favorecidos.

O sentimento, a ostentação, a imponência da estrutura hasteada, apresentando fotos e palavras de ordem para gáudio público de outrora, contrastam agora radicalmente com o momento da ressaca dos resultados do pós-campanha eleitoral e que se prolonga por várias semanas.

Vítimas de vandalização e gradual degradação, a apatia toma conta até dos mais fortes e nem mesmo panfletos, canetas, bonés ou aventais, restituem ânimo a estes prestadores de serviços.

Muitos são os que recorrem ao suicídio ou a dependências variadas, quando se vêem à beira da valeta. A situação é alarmante quando se compara a taxa de suicídio de há quatro anos atrás, com os valores do ano que ainda decorre.

 

Cabe a cada um de nós, contribuir para a restauração do bem-estar e unir esforços para devolver a estes também funcionários públicos, a merecida importância que fora reconhecida num passado não muito distante.

Este Natal, não passe indiferente junto a um outdoor fragilizado. Cumprimente-o.

Mantenha de pé o orgulho destes beneméritos da sociedade. Contribua com uma porca, um parafuso, ou mesmo uma demão de tinta antiferrugem.

Ou então, adopte um outdoor partidário numa das várias acções de sensibilização, a decorrer num centro comercial perto de si.

Bem aventurados aqueles, que ajudam a fortalecer quem ajuda a decidir. Bem-haja.

escrito por centrodasmarradas às 22:27 linque da crónica
02 de Novembro de 2009

...salta! salta! salta!...

 

Há aquela música que é em tudo, evitável de ser escutada. Ainda mais se escutada por alguém que se prepara para saltar do 32º andar, para cair prostrado no betão agreste e desprovido de sentimentos.

Nesta minha mais recente meditação calculada e merecedora de pausa para discernimento, resolvi ponderar a melodia que não faz mesmo falta nenhuma na vida de alguém que, malograda e pateticamente, escolhe uma música caguinchas como balada para o momento final.

E, meus fiéis já meritórios de um esfregão na moleirinha com os nódulos dos dedos, apresento-vos o projecto que tantos dias levou a ver a luz do dia.

Dou-vos a rubrica:

MÚSICA QUE, SE NÃO TIVESSE SIDO PARIDA POR ALGUÉM, TERIA DE SER INVENTADA!

...(palmas, assobios frenéticos, delírio, roupa interior a ser lançada para o púlpito)...

Sinceramente, já era altura de haver alguém destemido o suficiente para dedicar tempo a criar um espaço que, genialmente, sirva dois propósitos.

Alguém está próximo de um parapeito a tomar balanço para mergulhar. Esse alguém pede-vos para cantar uma modinha. Se tentassem evitar que esse alguém se atirasse de uma altura considerável, em direcção a uma morte certa, qual a música que NÃO deveriam cantar?

Para vosso deleite e regozijo, apresento-vos desde já e sem paninhos quentes, senhoras e senhores, na rubrica MÚSICA QUE, SE NÃO TIVESSE SIDO PARIDA POR ALGUÉM, TERIA DE SER INVENTADA!, a eleita das eleitas, a matriarca das matriarcas, o busílis do génesis: "PAPEL PRINCIPAL" interpretada por Adelaide Ferreira!

...(multidão ébria, unida em celebração histérica)...

Conseguem ouvi-la crescer na vossa mente? Como se tivessem ouvido aquela do "eu vou comer laranjas e bananas" que toca sem parar na vossa cabeça depois de, infelizmente, se terem cruzado com ela uma vez?...(fazem letras e músicas deste género, depois admiram-se que as crianças cresçam com problemas de compreensão e desenvolvimento mental)...

Adiante, não iriam concerteza abrilhantar o local onde está uma pessoas a tomar fôlego para se suicidar, com esta música.

Segundo um breve estudo que efectuei in loco (agradeço desde já aos suicidas, voluntários e involuntários), há dois sítios concorridos que os suicidas muito estimam para encerrar o seu ciclo. Das duas, uma.

Parapeito do terraço revestido a alcatrão de um prédio, ou uma clássica e imponente ponte em ferro.

Seria pior a emenda que o soneto, cantar algo não premeditado e estruturado por um estudo prévio.

Para isso, deixo-vos com um bom exemplo de quando se age sem pensar e do que não se deve fazer:

 

- Pára! Escuta, deixa-me ajudar-te!

- (gane e chora histericamente como uma menina colegial) Ajudar-me para quê!? Este mundo está perdido! (funga) Já nada me sustem aqui (sons indecifráveis feitos com o nariz), nada me satisfaz!...

- Tem de haver uma maneira. Pensa.

- (chora, chora) Uma modinha? Dava-me jeito algo que me distraísse e tranquilizasse. (suspiro) Que me afastasse desta ideia de suicídio.

- Bem, eu...assim de repente...posso sempre tentar...(inspira fundo)...abram alas para o Noddy (NODDY!) com o seu carro amarelo. Abram alas para o Noddy (NODDY!) o dia vai ser tão belo...

escrito por centrodasmarradas às 23:40 linque da crónica
01 de Novembro de 2009

...quem vai ao mar, não fica em terra...

 

Iluminados fiéis, vamos a descalçar as meias e sapatos e dar um valente aperto de pé a todos aqueles que visitam o nosso bidon pela primeira vez.

Comunico-vos que é oficial. Até ao próximo dia 21 de Março, estou de relações cortadas com o tempo. Enquanto não houver calor, não contem comigo para nada.

 

Espero que as camisas de força sejam do mais confortável possível e que todos tenham como eu, um imensurável orgulho em a usar.

Após verem-se livres das correias que atam as mangas, peço-vos que procedam à seguinte tarefa dividida em duas partes.

Primeiro coloquem uma mão na cabeça e batam levemente. Com a outra, esfreguem a barriga.

Em segundo e por último, saiam à rua e experimentem fazer o mesmo exercício com o primeiro estranho com que se cruzem. Se porventura surgir a polícia, digam que vão da minha parte.

Para mim imaginar-vos a atender o meu pedido, já é gratificante o suficiente.

 

Ando cada vez mais intrigado com as coreografias da Shakira.

Não consegui ainda muito bem, definir e classificar a vertente da dança que ela envereda.

Até agora, encontrei alguns dos movimentos muito próximos da dança expressiva contemporânea, outros de inspiração de dança moderna...alguns indefinidos, como se ela estivesse a tentar livrar-se de um dildo sem as mãos ou assim...

Por falar em exorcismo, não me parece nada bem um padre ter como apelido o nome Guerra. Ainda mais quando o mesmo padre usa para a caça, uma soqueira.

Será para malhar no teimoso láparo que não coopera em entregar a alma ao criador e bem merecedor de uma acusação de má fé!?

Será o padre Fernando Guerra, o Constantine de Boticas em busca do seu arqui-inimigo Balthazar!?

O Constantine tinha uma soqueira, mas o Balthazar não era um láparo...e mesmo que hajam láparos insanos e com movimentos demoníacos, as gaivotas e os esquilos são muito piores...para mais, o láparo tem um dejecto arrumadinho e não transmite a raiva.

 

Mais demolidor que a selecção de notícias escolhidas para o roda-pé de um serviço noticioso da TVI, temos o caso que passo a transcrever.

Depois do que já foi feito pelo BPN, Faria de Oliveira (presidente da CGD), diz ser perfeitamente normal injectar mais 3,5 mil milhões de euros neste...banco alimentado.

Assim como um canídeo juvenil não descansa enquanto não alcança a cauda, estas palavras proferidas suscitaram logo em mim, um sagaz e rápido corrupio nos neuro-transmissores responsáveis pela meditação.

Seria este depoimento resultado de efeitos secundários de possíveis ansiolíticos ilegais, induzidos por automedicação?...

Artur Jorge, de cognome "o seleccionador poeta", também usava este "perfeitamente normal", mas neste caso, para disfarçar o seu insucesso e a sua incompetência.

 

Para finalizar em apoteose, apetecia-me lançar aqui qualquer coisa, mas como costumo estar descalço quando escrevo, é inútil.

Também não quero incitar a que a entrada para as salas de conferência de imprensa, passem a ser vistas como uma venda de pares de sapatos. Mesmo quando a alcatifa de algumas destas salas, têm um aspecto higiénico e fofinho...

escrito por centrodasmarradas às 14:23 linque da crónica
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